Noroeste Paulista projeta crescimento de 46,6% na produção de laranja e ganha destaque na safra 2026/2
Enquanto o cinturão citrícola enfrenta uma projeção de queda na produção, o Noroeste Paulista aparece como uma das poucas regiões com expectativa de crescimento, reforçando a força da citricultura regional.
O Noroeste Paulista deve registrar um crescimento de 46,6% na produção de laranja na safra 2026/27, segundo a nova projeção elaborada pelo Departamento Técnico da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (FAESP), com base em dados do Fundecitrus.
A estimativa aponta que a região deve passar de 20,1 milhões para 29,4 milhões de caixas de 40,8 quilos, um avanço de aproximadamente 9,3 milhões de caixas em relação à safra 2025/26.
O resultado ganha ainda mais relevância diante do cenário geral da citricultura. No cinturão formado por São Paulo e pelo Triângulo/Sudoeste de Minas Gerais, a produção total está estimada em 263,1 milhões de caixas, uma redução de 10,2% em relação às 292,9 milhões de caixas da temporada anterior.
Noroeste se destaca entre as regiões produtoras
A projeção coloca o Noroeste Paulista em uma posição diferenciada.
Além do aumento de 46,6% na produção, a região deve apresentar crescimento de 39,4% na produtividade, passando de aproximadamente 570 para 794 caixas por hectare.
Na comparação com a estimativa realizada em maio de 2026, a projeção também apresentou melhora. Produção e produtividade do Noroeste foram revisadas em 2,9% para cima.
De acordo com a FAESP, Norte e Noroeste são as únicas regiões com previsão de crescimento da produção em relação à safra 2025/26.
Esse desempenho ajuda a evidenciar a importância que a citricultura vem assumindo dentro da dinâmica agrícola do interior paulista.
Um contraste importante no cinturão citrícola
O avanço do Noroeste acontece em um momento de forte contraste entre as diferentes regiões produtoras.
A projeção para o cinturão citrícola de São Paulo e Triângulo/Sudoeste de Minas Gerais é de 263,1 milhões de caixas de 40,8 kg, volume 10,2% menor que o registrado na temporada anterior.
Apesar da redução, a estimativa de setembro representou uma revisão positiva de 3,1% em relação à projeção apresentada em maio.
Um dos motivos apontados foi a expectativa de maior peso dos frutos, com o peso médio projetado passando de 160 para 166 gramas.
A produtividade média do cinturão, entretanto, deve recuar de 809 para 719 caixas por hectare.
O que está por trás dos números?
O desempenho da safra não depende apenas da área cultivada.
A produção de laranja está sendo influenciada por uma combinação de fatores climáticos, produtivos e fitossanitários.
Entre os desafios apontados no levantamento estão:
• menor quantidade de frutos por planta
• queda prematura dos frutos
• condições climáticas nas diferentes regiões
• greening
• cancro cítrico
A taxa de queda prematura dos frutos está estimada em 24,1%, 1,3 ponto percentual acima da estimativa realizada em maio.
As chuvas registradas entre maio e agosto também influenciaram o andamento da colheita. Segundo a FAESP, os frutos permaneceram mais tempo nas plantas para alcançar o ponto adequado de maturação, favorecendo a qualidade do suco.
Como ficam as outras regiões?
O cenário regional mostra diferenças expressivas.
O setor Norte, formado pelo Triângulo Mineiro, Bebedouro e Altinópolis, permanece como o principal produtor, com expectativa de 72,3 milhões de caixas. O volume é praticamente estável, mas a produtividade deve cair 2,2%, para 825 caixas por hectare.
No Sudoeste, a produção projetada é de 58,2 milhões de caixas, queda de 24,9%.
No Sul, são esperadas 35,6 milhões de caixas, redução de 14,4%.
Já a região Centro deve produzir aproximadamente 67,6 milhões de caixas, queda de 17,2% frente à safra anterior.
O contraste é evidente: enquanto importantes regiões produtoras enfrentam retração, o Noroeste aparece entre os poucos territórios com perspectiva de crescimento.
O peso do Noroeste Paulista para o agronegócio
Para o Noroeste Paulista, o avanço projetado representa mais do que um número positivo em uma tabela de safra.
A citricultura movimenta uma cadeia que envolve produtores, trabalhadores rurais, fornecedores de insumos, transporte, armazenagem, indústria, comércio e diferentes serviços ligados ao agronegócio.
Quando uma região aumenta sua produtividade, os efeitos podem alcançar diferentes elos dessa cadeia.
Por isso, acompanhar os indicadores agrícolas também significa observar os movimentos econômicos de todo o território.
E esse é um dos pontos que tornam o dado de 46,6% especialmente relevante para o Noroeste Paulista.
Catanduva e a força regional do agro
O Noroeste Paulista reúne municípios com forte presença do agronegócio e uma diversidade de culturas que contribuem para a economia regional.
Dentro desse contexto, acompanhar a evolução da citricultura é importante também para compreender os movimentos de produção, investimentos e oportunidades que podem surgir no campo.
Levantamentos do Instituto de Economia Agrícola (IEA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, também mostram a relevância das diferentes regiões paulistas na produção de laranja e o movimento de expansão de novos pomares em determinadas áreas do estado.
Um crescimento que merece ser acompanhado
O avanço projetado para o Noroeste Paulista não elimina os desafios enfrentados pela citricultura.
O próprio cenário da safra 2026/27 mostra que clima, doenças, queda prematura de frutos e produtividade continuam sendo fatores determinantes para o setor.
Também existe atenção para o comportamento climático no segundo semestre de 2026, período em que há indicação de alta probabilidade de ocorrência do fenômeno El Niño, embora ainda existam incertezas sobre sua consolidação.
Por isso, a projeção de crescimento precisa ser entendida como uma fotografia do cenário atual, e não como garantia do resultado final da safra.
Ainda assim, o número chama atenção.
46,6% de crescimento projetado coloca o Noroeste Paulista entre os grandes destaques positivos da citricultura na safra 2026/27.
Agro é TOP acompanha, apura e explica
Para quem vive no Noroeste Paulista, compreender esses movimentos significa enxergar o agronegócio para além da porteira.
Cada percentual revela uma transformação. Cada safra movimenta pessoas, empresas, municípios e cadeias inteiras de produção.
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